Bloguinho da Zizi

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Quindins na Portaria



Estava lendo o novo livro do Paulo Hecker Filho, Fidelidades, onde, numa de suas prosas poéticas, ele conta que, antigamente, deixava bilhetes, livros e quindins na portaria do prédio de Mário Quintana: "Para estar ao lado sem pesar com a presença.                                                                                                           Há outras histórias e poemas interessantes no livro, mas me detive nesta frase porque não pesar aos outros com nossa presença é um raro estalo de sensibilidade.
Para a maioria das pessoas, isso que chamo de um raro estalo de sensibilidade tem outro nome: frescura.
Afinal, todo mundo gosta de carinho, todo mundo quer ser visitado, ninguém pesa com sua presença num mundo já tão individualista e solitário.
Ah, pesa. Até mesmo uma relação íntima exige certos cuidados.


Eu bato na porta antes de entrar no quarto das minhas filhas e na de meu próprio quarto, se sei que está ocupado.
Eu pergunto para minha mãe se ela está livre antes de prosseguir com uma conversa por telefone.
Eu não faço visitas inesperadas a ninguém, a não ser em caso de urgência, mas até minhas urgências tive a sorte de que fossem delicadas.
Pessoas não ficam sentadas em seus sofás aguardando a chegada do Messias, o que dirá a do vizinho.
Pessoas estão jantando.
Pessoas estão preocupadas.
Pessoas estão com o seu blusão preferido, aquele meio sujo e rasgado, que elas só usam quando ninguém está vendo.
Pessoas estão chorando.
Pessoas estão assistindo a seu programa de tevê favorito.
Pessoas estão se amando.
Avise que está a caminho.

Frescura, jura? Então tá, frescura, que seja.
Adoro e-mails justamente porque são sempre bem-vindos, e posso retribuí-los, sabendo que nada interromperei do lado de lá.
Sem falar que encurtam o caminho para a intimidade.
Dizemos pelo computador coisas que, face a face, seriam mais trabalhosas.
Por não ser ao vivo, perde o caráter afetivo?
Nem se discute que o encontro é sagrado.
Mas é possível estar ao lado de quem a gente gosta por outros meios.
Quando leio um livro indicado por uma amiga, fico mais próxima dela.

Quando mando flores, vou junto com o cartão.


Já visitei um pequeno lugarejo só para sentir o impacto que uma pessoa querida havia sentido, anos antes.  Também é estar junto.
Sendo assim, bilhetes, e-mails, livros e quindins na portaria não é distância: é só um outro tipo de abraço.
Marta Medeiros

10 comentários:

Calu disse...

Zizi querida,
são atos preciosos assim que geram convivências felizes. Como Martha , tbém procuro ajir desta maneira e reflexionar ante uma situação de relacionamento,mesmo que corriqueira.
O bom-senso faz um dia-a-dia melhor, né mesmo?
Adorei o post.
Dias ensolarados p/ ti.
Bjkas,
Calu

Angela Fonseca disse...

Quanta sabedoria, Zizi! É isso mesmo: visitas, sejam elas de que jeito forem, são afagos em nossos corações e sempre bem vindas. No mundo virtual, espaço através do qual recebemos tanta informação inútil e somos invadidos a cada instante pelos famosos spams, ver o nome de uma pessoa querida no campo 'remetente' dá aquela alegria especial que aquece o peito. Muito bom! Beijos, Angela
http://noticiasdacozinha.blogspot.com

Luciana Penido disse...

Zizi estou lendo o livre "A arte de ser leve" da Leila Ferreira e ela trata entre outros temas desse tema também,estou adorando.Educação,bom senso,cordialidade hoje e sempre.Bjsss

Regina disse...

oi Zizi... bom dia!!
Sempre leio os seus lindos comentários nos blogs que sigo, e resolvi "invadir" o seu espaço para te conhecer!
Que delícia de blog! Adorei!
Eu tenho dois blogs, um pessoal www.vimpraserfeliz.blogspot.com
e um profissional
www.psicologaregina.blogspot.com

Estarei sempre por aqui para ler os seus post!

abraços

Jorge disse...

É mesmo, né?
Que sensibilidade da Martha a nos colocar seu ponto de vista que também acho louvável. Se é frescura respeitar as pessoas assim, que seja, então!!!

Muito obrigado por compartilhar esta mensagem tão linda!!!

Coração, um super beijo!

Regina Rozenbaum disse...

Zizi, amada!
Sua escolha - dessa crônica de Marta - mostra, mais uma vez, quem és!!! Pura delicadeza! Aki, adorei seu pitaco no blog da Angelinha...não sabia e já está anotado na alma.
Beijuuss, frescos,n.c.

orvalho do ceu disse...

Olá, querida Liz
Como valorizo tudo isso que postou, menina!!!
Sem amor fraterno não dá pra viver bem...
Bjs de paz

Carla Farinazzi disse...

Zizi!

Perfeito isso. Essa delicada gentileza faz uma falta hoje em dia. Mas por isso eu já aviso, quem me conhece sabe. Nem adianta bater na porta da minha casa sem avisar! Não atendo mesmo! Não quero nem saber, se quiser me "visitar", avise antes. Aliás, não gosto de visitas não, se quer saber, sou sincera, rsrsrs. E você tem toda razão, e-mail não invade, não atrapalha, sempre é bem-vindo!
Como faz falta essa sensibilidade de a pessoa perceber que pesa sim, do nosso lado, não?

Beijos

Carla

Graça Pereira disse...

Um texto maravilhoso e não é que eu concordo com a Marta Medeiros?
A Amizade implica delicadeza e carinho.
Longe...eu estou sempre contigo! São coisas que se sentem e...não se explicam!
Beijocas
Graça

Adriana Alencar disse...

Já conhecia o texto e concordo integralmente com ele. Gentileza custa pouco e traz muito em troca, nos torna pessoas mais agradáveis e multiplica os amigos. As palavras acima são uma excelente inspiração para o bem- viver!
Beijo
Adri